Ir para conteúdo

Compartimentação com cortinas

A compartimentação é um dos grandes fatores que favorecem o sucesso na evacuação e combate ao incêndio de forma eficaz, é possível restringir com eficiência o fogo, calor e fumaça. Antes de apresentarmos as soluções para compartimentação, devemos conhecer quais as normas vigentes estabelecidas pelo Corpo de Bombeiros.

Vamos explorar aqui de forma superficial as Instruções Técnicas do Estado de São Paulo que tratam deste assunto. Apesar das normas brasileiras de segurança contra fogo terem semelhanças entre os Estados, é fundamental analisá-las na sua especificidade e aplicá-las a cada projeto.

Compartimentação entre edifícios

A IT Nº 07/2011 descreve quais são os critérios para o isolamento de risco de propagação de incêndio por radiação de calor, convecção de gases quentes e a transmissão de chamas entre as edificações. Alguns fatores são levados em consideração para determinar a necessidade de compartimentação e seus tempos de resistência ao fogo entre as edificações, são eles:

  • Isolamento de risco: Espaçamento entre duas edificações;
  • Carga de incêndio: Classificação da severidade da carga de incêndio – I, II, III;
  • Características da edificação: Aberturas na fachada, posicionamento das edificações;

Conforme os critérios acima, deverão as edificações possuir compartimentação para manter em segurança o edifício em exposição (edifício ao lado do que estiver em chamas).

Compartimentação horizontal e vertical

A IT Nº 09/2011 já trata mais especificamente de compartimentações horizontais e verticais para impedir a propagação do incêndio entre e intra pavimentos, com base nos parâmetros do Decreto Estadual nº 56.819/11 (Regulamento de segurança contra incêndio das edificações e áreas de risco do Estado de São Paulo). Ou seja, caso o fogo tenha origem no terceiro andar na face norte de um prédio, este deve ficar restrito por um determinado tempo ao terceiro andar na face norte, sem se propagar para as demais faces do prédio.

Para isso devem existir elementos corta-fogo que atendam as propriedades de resistência mecânica, estanqueidade de chamas / fumaça e o isolamento térmico por um determinado tempo.

Para atender a compartimentação dentro destas propriedades existem diversas soluções, e cada uma delas mais adequada para cada situação.

Compartimentação Horizontal

As paredes e portas corta-fogo são as soluções de compartimentação mais usuais para controlar os efeitos de um incêndio na horizontal.  As paredes corta-fogo são formadas geralmente de alvenaria ou drywall (vide Compartimentação com Drywall) com resistência ao fogo que variam conforme suas espessuras e placas utilizadas. Vemos com frequência esta aplicação em postos de gasolina, prédios industriais, armazéns e nos centros de distribuição. Geralmente são utilizados em ambientes onde há amplo espaço a ser desperdiçado e que não tenha requisito de estética.

As portas corta fogo é uma alternativa de compartimentação que permite passagem, diferentemente de uma parede fixa. Apesar de serem muito robustas e pesadas, tem alta eficácia atingindo de 30 | 60 | 90 e 120 minutos de resistência ao fogo.  São muito utilizadas nas saídas de emergência e em passagens onde transitam poucas pessoas.

Existem circunstâncias aonde o vão horizontal deve possui sistema corta-fogo que permita um transito fácil de pessoas, como também manter a estética da arquitetura. Para isso a melhor solução a ser utilizada são as cortinas corta-fogo que apresentaremos adiante.

Compartimentação Vertical

Entrepisos corta-fogo, sejam eles de concreto armado ou steel deck, possuem suas propriedades de corta-fogo e atendem geralmente aos requisitos da Instrução Técnica, são utilizados em quase todas as construções como um entrepiso padrão.

Não podemos nos esquecer das aberturas existentes nos entrepisos, devemos considerar a compartimentação das escadas, elevadores, monta-cargas, átrios e escadas rolantes. Para atender a estes espaços, a melhor alternativa para compartimentação é a utilização de cortinas corta-fogo.

Cortinas corta-fogo

As cortinas corta-fogo são compostas de material têxtil e foram desenvolvidas para atender as três propriedades mencionadas no início. Resistência mecânica, estanqueidade de chamas/fumaça e o isolamento térmico.

Atender às necessidades das aberturas nos entrepisos para a compartimentação vertical, e otimização de espaço para compartimentação horizontal são diferenciais da cortina corta-fogo. Adaptam as diversas necessidades arquitetônicas, permitindo melhor aparência, sem ocuparem espaço por se manterem recolhidas.

O acionamento do sistema de cortinas é através do painel de controle que está integrado com detectores de fumaça e fogo, o sistema deve ter alta acurácia, não podendo ser acionada quando não existe risco de incêndio, e principalmente não acionar quando ocorre o incêndio.

cortina

 

A terceira e última IT que devemos conhecer é a Nº 15/2011, ela trata dos sistemas de controle de fumaça em casos de incêndio conforme o tipo de ocupação e local. Seu principal objetivo é direcionar a fumaça e gases de forma que permita a visibilidade para o abandono seguro do local. Aplicando os critérios, é possível a divisão e extração de volumes de fumaça de forma adequada.

cortina2

 

Podemos ver a aplicação das cortinas de controle de fumaças em escadas rolantes e fixas e nas passagens horizontais. Este é o melhor sistema para quem busca segurança contra incêndio através do atendimento as normas, eficiência e estética.

Como se trata de um produto inovador é importante avaliação criteriosa as soluções ofertadas no mercado, busque selos de laboratórios reconhecidos dentro de testes de padrões internacionais e nacionais, e que atendam aos requisitos e necessidades de seu projeto.

img_70

As certificações devem ser feitas no sistema como um todo, ou seja, no tecido da cortina e também na máquina responsável pela abertura e fechamento da cortina.

Certificações conceituadas como as referências abaixo devem ser exigidas na análise do sistema:

img_71

DIN EN 1363-1: Teste de resistência ao fogo de elementos de construção

DIN EN 1634-1: Teste de resistência ao fogo de portas e janelas

img_72

DIN EN 13501: Classificação de materiais de construção.

DIN EN 12101-1: Barreiras  contra fumaça: ensaios e classificação

VdS: Certificação do dispositivo de bloqueio e vida útil do maquinário.

Estes testes devem ter sido realizados por laboratórios de alta credibilidade, UL, BS, IPT, CE e FM Global são altamente qualificados para realização dos testes de fogo.

Investimento

Os sistemas de cortina tem um investimento elevado, principalmente quando falamos das cortinas corta fogo. Utilize-o quando estiver dentro das circunstâncias descritas anteriormente.

Os preços variam de R$ 1.000/m² à R$ 6.000/m² da cortina corta fogo instalada, e para as cortinas corta fumaça, de R$ 250/m² – R$350/m² instalada.

2 comentários em “Compartimentação com cortinas Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: