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31 anos do grande incêndio no estádio do Bradford City que vitimou 56 pessoas

Incêndio em Bradford City: mais um caso histórico de impunidade na Inglaterra

Por Felipe Portes

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Em 11 de maio de 1985, o futebol inglês viveu um grande drama. No estádio do Bradford City, uma partida da quarta divisão local chamou a atenção de todo o planeta. Dentre as arquibancadas de madeira do Valley Parade, torcedores esperavam comemorar o título do time da casa diante do Lincoln City. Mas aquela tarde não foi de festa: 56 pessoas morreram em um incêndio que impulsionou grandes mudanças na estrutura do esporte na Inglaterra.

O Bradford já era campeão e aquela partida marcava a entrega da taça e o acesso. O Lincoln não tinha mais ambições e estava no meio da tabela. O estádio Valley Ground recebeu suas últimas partidas antes de ser interditado: sem o alvará e obrigado a fazer uma reforma total dentro de alguns meses, o local consistia em sua maioria, de arquibancadas de madeira.

O clima era bom. O capitão dos Bantams, Peter Jackson, recebeu o troféu diante de 11 mil pessoas. O jogo estava no primeiro tempo quando os primeiros relatos de confusão surgiram. De acordo com o relatório das autoridades, o corre-corre começou faltando 15 minutos para as 4 horas da tarde, quando o turista australiano Eric Bennett resolveu jogar a bituca acesa de seu cigarro abaixo de uma das bancadas. Sem perceber o tamanho do caos que causaria, o rapaz tentou apagar o resto da chama com os pés, mas a bituca caiu e iniciou o incêndio. Bennett ainda tentou jogar um copo de café em cima do fogo, mas sem sucesso.

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Sufocados pela fumaça e tentando correr do incêndio, torcedores fugiam desesperados para a primeira saída em vista. A polícia agiu rápido para evacuar as bancadas e ocupou o gramado para prestar socorro. Muitos foram pisoteados e amassados entre os corredores que davam acesso ao campo, outros se asfixiaram e morreram ainda nas cadeiras. No total, 54 torcedores do Bradford e dois do Lincoln perderam a vida no incidente. Outros 200 ficaram feridos.

A versão principal é dada pela polícia, incluindo os detalhes de como o fogo começou. Eles dizem que Bennett visitava um sobrinho em Bradford e voltou para a Austrália como um dos sobreviventes. Entretanto, Leslie Bronwnlie, o sobrinho em questão, afirmou em 2015, dias depois da declaração dos policiais que o tio jamais mencionou o fato de ter derrubado a bituca e que isso não passava de uma invenção para achar um bode expiatório na tragédia. Bennett morreu anos depois do incidente.

O detetive encarregado do inquérito de Bradford e que foi à imprensa para revelar o “verdadeiro culpado” era o oficial Raymond Falconer. Raymond fez parte de uma força-tarefa para a investigação de um assassinato em 1977, também em Bradford. Uma mulher foi assassinada e por causa dos elementos que Falconer e sua equipe providenciaram, um homem inocente foi preso e cumpriu 20 anos de pena por um crime que não cometeu. O caso é um dos mais famosos erros judiciais de toda a história da Inglaterra.

Curiosamente, quatro anos depois, na tragédia de Hillsborough, em um jogo entre Liverpool e Nottingham Forest, 96 torcedores morreram quando o estádio superlotou. A polícia contou com a ajuda do governo para culpar hooligans pelo incidente, versão que foi difundida por anos pelas autoridades, até que na última semana de abril, a Justiça inglesa responsabilizou o policiamento por negligência no tratamento da situação e isentou os torcedores, quase três décadas depois da tragédia. Até nisso os desastres coincidem.

Outro fator que não foi amplamente divulgado sobre o desastre em Bradford é que o presidente do clube à época, Stafford Heginbotham, esteve envolvido em outros sete incêndios em suas propriedades ou fábricas antes de 1985. Todos eles tiveram grande compensação de seguradoras, o que abre a possibilidade de uma tentativa de fraude no estádio, que evidentemente acabou fugindo do controle. Não houve inquérito neste sentido e estes fatores foram revelados pelo jornalista Martin Fletcher em seu livro “56: A história do Incêndio de Bradford”, publicado em 2015.

Heginbotham morreu em 1995 e nunca foi considerado suspeito, mas o padrão dos incêndios anteriores era o mesmo do que vitimou os 56 torcedores no Valley Parade. A imprensa local nunca noticiou nada a respeito da coincidência entre os episódios, já que Heginbotham fazia pressão para que as informações não fossem publicadas. Ninguém nunca foi preso ou indiciado pela tragédia de 1985. O que se sabe é que nenhum estádio inglês, nem mesmo os de pequeno porte, utilizam arquibancadas de madeira.

O Valley Parade foi reinaugurado em dezembro de 1986, com a arquibancada principal completamente remodelada e adequada para evitar novos dias como aquele 11 de maio de 1985.

Fonte: Yahoo

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